sábado, 13 de dezembro de 2014

Como ser feliz sem um smartphone

     Esse texto foi originalmente postado por mim no Facebook no dia 23/11/2014, mas a repercussão foi tão grande (para os meus padrões) que me deu vontade de reativar o Midnight Wonderland e voltar a postar pensamentos banais + idéias malucas + livros e etc. Por isso, nada mais justo do que postar tudo aqui novamente. Boa leitura. (diz a professora antes daquele texto chaaato...)...

" Sofrimentos banais da vida moderna em: Como ser feliz sem um smartphone


     Fui roubada. Até aí acho que todos souberam. Saí viva, três pontinhos na cabeça depois de uma coronhada carinhosa, tudo de boa, rindo á toa. Aí fiz o levantamento de todas as coisas banais que estavam na bolsa - ENORME - que foi levada. Maquiagem, chaveiro vira-tempo do Harry Potter original, documentos diversos... E o meu querido - e irresistivelmente quebrado - Iphone 4S.


     Bom, quem tem smartphones no geral, mas principalmente Iphone, sabe que TODA A SUA VIDA passa a girar em torno desse treco. Facebook, whatsapp, contatos, calendários, despertadores - não orgulhosamente corretor ortográfico... E no meu caso, anotações. Escrevo meus LIVROS, ou no mínimo os rascunhos deles, no bloco de notas do Iphone. E também coisas importantes. E todos os tipos de banalidades. Mas tudo bem, ele atualiza automaticamente pro meu gmail. Ótimo. Me desesperei por uns instantes, mas não perdi nenhma das notas.


     E as músicas. As dos outros e as minhas. Passei o dia no som do silêncio solitário e mórbido da cidade. Um miado aqui, um pássaro, mil carros. E a música que eu fiz na sexta, inteirinha, perdi no sábado. Tenho a letra - notas automáticas, queridas - mas não tenho a melodia. E as idéias gravadas no último mês também se foram. Lamentei tudo isso o dia todo, mas o pior eu só percebi mais tarde.


     O Iphone era quem me dava boa noite e bom dia todos os dias, sem que eu notasse. Facebook, lanterna, despertador. Se me sentia insegura ou triste, umas duas mensagens do Osho ou da Kabbalah me deixavam melhor. As vezes Paulo Coelho. Algum barulho? Lights on. Nunca mais tive medo de escuro depois dele, ou de me perder na rua. E nunca me senti tão sozinha na vida. Nem na minha primeira noite sozinha, depois da separação. Marido pra quê, se esse cabe no bolso?


     E como uma viúva banal da tecnologia que só percebe a solidão quando se deita só, fiquei dando voltas na cama e na casa, e só dormi depois de um calmante. Só tomei calmante pra dormir umas três ou quatro vezes na vida antes disso.


     A tecnologia, amiguinhos, cuidado com ela. Ela nos doma e nos torna escravos. Escravos felizes. Escravos voluntários.


     E para quem esperava a conclusão de um manifesto anti-tecnlógico, espere sentado. Pode ser em frente ao computador, tablet ou smartphone.


     Pois espero, na BlackFriday, comprar meu novo amor pela metade do preço. "



     E, aos interessados, o desconto nos Iphones era tão ridiculamente baixo que preferi comprar o de um amigo e troco quando passar o trauma!   #BlackFraude







quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Nomes são importantes


     Eu dou nome para as minhas coisas, para as coisas que gosto, que são presentes na minha vida. Meus gatos obviamente tem nome. O branco é Shiro, porque quer dizer branco em Japonês, a peluda é Margot, porque foi encontrada pelos veterinários de quem adotei em um canteiro de margaridas e a castanha malhada é Meg, de Megera, porque era muuuuito feia quando a resgatei da rua, e hoje é linda e carinhosa. Meu Iphone que foi roubado era Rebirth, e eu realmente renasci depois dele, em tantos sentidos, voltando a escrever, fazendo música, me encontrando em mim mesma depois de tanto tempo. (Eu queria mudar o nome do novo para Survivor, mas não sei como...). E hoje, finalmente, comprei meu primeiro computador pessoal.

 
    Calma, eu sempre tive acesso a computadores. Desde os 11 anos, na verdade, e já tenho (quase) vinte e sete. Diversos computadores familiares, alguns com o meu ex-marido, os do trabalho. Também ganhei um netbook na festa da empresa uma vez, que não é muito bom e é bem difícil de usar para escrever pois a telinha é muito pequena, mas é me e me acompanhou por muito tempo. Mas essa é a primeira vez que compro um computador 100% com o meu dinheiro e exclusivamente para o meu uso. Totalmente escolhido por mim, sem nenhuma opinião, não pelas configurações que eu desconheço, mas pelas funcionalidades que eu preciso e pelo design que me desperta interesse. Que cabe certinho no espaço que eu tenho. E melhor ainda, por um preço que eu me satisfiz em pagar. Ele é um All In One da LG, branquinho e discreto, mas a tela é grande e o teclado é macio. 


     Agora, com meu novo computador (e nova cadeira!), vou finalmente poder escrever todos os dias em casa, confortavelmente, como me prometo desde sempre. Terminar todos os livros tão legais que já comecei a tempo e desenvolver os novos. Reativar o blog (como estou fazendo aqui, mesmo com um texto tão curto e banal). Definir o blog não só como um de desabafo e demonstração de trabalhos próprios, mas também como um de análise literária. Gosto de ler, gosto de falar sobre o que leio. Quem sabe alguém quer ler? Ou assistir. Quero fazer vídeo-críticas com os livros mais legais. Já tenho quase três anos com esse projeto e nunca tive coragem, equipamento, disposição e tempo livre ao mesmo tempo. Agora eu não tenho mais desculpinhas. Não quero mais desculpinhas. Agora é pra valer.


E o nome dele é Miracle.




E que comecem os milagres.